quinta-feira, 5 de abril de 2012

Tanta História

Vivi a grande parte da minha vida em uma chácara que beirava a cidade, foi uma infância feliz.
E até hoje em alguns sonhos que se misturam a coisas atuais e passadas eles sempre acontecem naquele lugar, mais propriamente entre a minha casa e a da vó. 
Era uma chácara muito bonita com uma jaqueira frondosa que causava medo. Em dias de chuvas fortes parecia que iria cair em cima da casa da vó, mas tinha uma sombra amiga em dias quentes, onde eu e meus primos mais quantos amigos quiséssemos podiam brincar, e por aqui quase o ano todo é muito quente.
Eram duas casas em 1 alqueire talvez de espaço, fui muito feliz.
E por ter sido tão feliz , tenho muita saudade daquele lugar, que semana passada descobri não existir mais. Então notei como é estranho nos adaptarmos às mudanças, aos ciclos da vida e o tempo que tudo transforma, amadurece e às vezes apodrece.
Mudamos, minha vó faleceu , vendemos a chácara.  Alguém comprou  e virou um loteamento e agora já tem casas sendo construídas e até mesmo algumas pessoas morando em suas casas novinhas, tudo muito bonito. Famílias sendo constituídas.
Mas não para mim ainda que vi a casinha da minha vó e a minha ainda alugadas sei lá por quem em ruínas pelo tempo e a visão bonita que tinha não era exatamente aquela, parece bobo mas foi chocante.
Confesso, me emocionei, prefiro guardar as lembranças que ainda mantenho, passar por lá vai me causar um pouco de desconforto, esse desconforto da mudança meio que inevitável.
E aquilo tudo que fazia parte da minha história e do meu passado agora vai fazer parte da história e do passado de muita gente. 
Pensando bem  aquele lugar que me fez tão feliz vai servir pra muita gente ser feliz também.
Mas tenho pra mim que foi por lá que enterraram meu umbigo.

Desapegar é uma arte dos evoluídos.

terça-feira, 20 de março de 2012

Por pouco

Tá tudo igual,

As coisas não mudam como gostaríamos, hoje o sol nasceu amarelo do mesmo jeito que se pôs ontem.

Porém algumas coisas podem ser evitadas, como a Ijanara escrevendo sobre a Grande Tupi Paulista.

Foi por pouco, ainda resta esperança.

Obrigado pelo contato,

Fiquem na espreita e aproveitem, o fim do mundo se aproxima... mas não para esse blog.

E Dona Alessandra, tem Beatles cover no MPB dia 14/03, você gostaria de ir?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os Três Mal-Amados

João Cabral de Melo Neto


Joaquim:

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Feliz ano novo!

Esse ano eu só queria uma coisa: Receber em dia.

Um pedido sincero pra Presidente, pra Prefeitura, Xuxa, Papai Noel, Deus, sei lá.

Qualquer um que resolva.

Grato.

Lucky Man (The Verve)

Essa é uma boa música para reflexão, além de que dá uma vontade de pensar sobre a vida o clip também é muito bom.
Dá uma vontade de ter uma casa na praia. rs

O que é felicidade pra você?
Para mim são apenas momentos sem constância, mas todos envolvem pessoas que quero bem , como amigos, família e amores (aqueles que vem e "vãos").

Vamos tocar 2012 como uma melodia e tenho dito.


Happiness
More or less
It's just a change in me
Something in my liberty
Oh my, my
Happiness
Coming and going
I watch you look at me
Watch my fever growing
I know just where I am
But how many corners do I have to turn?
How many times do I have to learn?
All the love I have is in my mind?
Well, I'm a lucky man
With fire in my hands
Happiness
Something in my own place
I'm standing naked
Smiling, I feel no disgrace
With who I am
Happiness
Coming and going
I watch you look at me
Watch my fever growing
I know just where I am
But how many corners do I have to turn?
How many times do I have to learn?
All the love I have is in my mind?
I hope you understand
I hope you understand
Gotta love that'll never die
Happiness
More or less
It's just a change in me
Something in my liberty
Happiness
Coming and going
I watch you look at me
Watch my fever growing
I know
Oh my, my
Oh my, my
Oh my, my
Oh my, my
Gotta love that'll never die
Gotta love that'll never die
No, no
I'm a lucky man
It's just a change in me
Something in my liberty
It's just a change in me
Something in my liberty
It's just a change in me
Something in my liberty
Oh my, my
Oh my, my
It's just a change in me
Something in my liberty
Oh my, my
Oh my, my

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Nada

Segue a longa e profunda reflexão sobre o "nada":







































Posso parecer um pouco alternativo, mas continuo:




























Fim.

Nomes

Renata: Giofranceno, cadê o refrigerante?
Giofranceno: Por que você chama de Giofranceno e não me chama de amor?
Renata: Seu nome é Amor? Não, é Giofranceno.

-"-

Cris: eu que conheci uma Parascóvia.

Su: E minha vó que chamava Adelícia.

Bete: E minha vizinha que chama Gilete, Dona Gilete.

-"-

E o pessoal da facul que zoava o Laurisberto...